Pressão sobre o caixa corporativo

A Moody’s Ratings identificou que 23% das empresas não financeiras avaliadas no Brasil possuem perspectiva negativa para suas notas de crédito. Entre janeiro e setembro de 2026, a agência registrou 20 ações negativas, sinalizando vulnerabilidade financeira generalizada. O cenário é marcado por juros elevados, que limitam a geração de caixa livre e dificultam o refinanciamento de dívidas.

Ebitda deve recuar e exigir vendas de ativos

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) agregado das empresas brasileiras deve cair 3,3% em 2027, atingindo US$ 144,5 bilhões. Para conter o endividamento, a agência recomenda a venda de ativos não estratégicos e reestruturações profundas, pois a melhora operacional isolada não será suficiente para equilibrar as contas.

Sensibilidade aos juros flutuantes

Cerca de um terço da dívida corporativa com rating no Brasil está atrelada a taxas flutuantes. Setores como varejo, agronegócio e infraestrutura são os mais expostos. Empresas que entraram no ciclo de aperto monetário com vencimentos curtos enfrentam risco elevado, especialmente aquelas que financiam grandes investimentos com recursos de curto prazo sem reservas adequadas.

Desafios setoriais: aço, minério e celulose

A indústria siderúrgica sofre com a concorrência de importações chinesas, que representaram 22% do consumo aparente nos primeiros sete meses do ano. Já o setor de minério de ferro e celulose enfrenta preços globais abaixo do equilíbrio cíclico, embora gigantes como Vale e Suzano tenham estruturas de custo que oferecem alguma proteção relativa.

Riscos climáticos e inflacionários

Eventos climáticos extremos, como o El Niño, ameaçam a produção agrícola e o custo da energia elétrica, componentes-chave do IPCA. Perdas em safras podem elevar custos de ração para produtores de proteína animal, enquanto a escassez hídrica pressiona o sistema elétrico. Essa combinação reduz a margem de manobra das empresas para repassar aumentos de custos aos consumidores.