Entrada estratégica no capital

O Grupo Muffato consolidou sua entrada no capital do Assaí após aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A operação envolve a aquisição de 12,0134% das ações ordinárias da varejista, realizadas por meio de fundos de investimento vinculados aos empresários Ederson e Everton Muffato.

A decisão regulatória reconhece o caráter puramente financeiro da transação. Como as ações foram negociadas no mercado secundário, não houve venda direta pela Sendas Distribuidora, controladora do Assaí, mantendo intacto o caixa da empresa alvo.

Concorrência direta em São Paulo

O movimento reflete uma estratégia agressiva de expansão territorial. Desde a compra de 16 lojas do Makro em 2023, o Max Atacadista tem intensificado sua presença em São Paulo, região onde o Assaí detém forte liderança. A participação acionária fortalece a posição financeira do grupo para disputar market share na praça.

O Cade analisou que a independência operacional entre os dois grupos seria preservada. Os poderes políticos conferidos pela participação minoritária são limitados, evitando conflitos de interesse imediatos na gestão diária das redes.

Evolução gradual da participação

A montagem da posição ocorreu de forma discreta ao longo de meses. Em novembro de 2025, a fatia reunida pelos fundos Snapper Rocks FIA e WHG Apache FIA era de apenas 4,91%. Com compras subsequentes e contabilização de derivativos, a exposição total atingiu o patamar atual de mais de 12%.

O processo exigiu sete meses de análise regulatória. A aprovação sem restrições pela Superintendência-Geral do Cade sinaliza que a autoridade antitruste não enxerga riscos imediatos à livre concorrência neste modelo específico de investimento passivo.

Contexto do setor varejista

O Grupo Muffato ocupa a sexta posição no ranking da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) em 2026, com faturamento de R$ 20,35 bilhões. O Assaí, segundo colocado, movimenta R$ 84,7 bilhões. A entrada do Muffato como grande acionista pode alterar dinâmicas de alianças e pressão competitiva no segmento de atacarejo.