Metas agressivas sem números fechados

O plano econômico apresentado por Flávio Bolsonaro para a Presidência da República estabelece uma meta ambiciosa: crescimento sustentado do PIB de 4% ao ano. O objetivo contrasta com a realidade recente, marcada por expansões modestas de 1,9% no primeiro semestre de 2026 e 2,3% em 2025, segundo dados do IBGE.

A estratégia central, apelidada de "tesouraço", busca equilibrar as contas públicas através da redução drástica de despesas administrativas e da ampliação do investimento privado. A proposta visa estabilizar e reduzir a dívida pública, que atingiu 82,9% do PIB em agosto, o maior patamar em cinco anos.

Cortes na máquina pública e reforma administrativa

O documento prevê a extinção de pelo menos dez ministérios, além da redução de cargos comissionados e combate a supersalários. A intenção é racionalizar a estrutura estatal mediante digitalização de serviços e revisão das normas trabalhistas e previdenciárias.

No entanto, a cartilha não especifica quais pastas seriam extintas nem quantifica a economia gerada por esses cortes. Também faltam detalhes sobre como serão tratadas as carreiras dos servidores públicos afetados pela reforma administrativa proposta.

Revisão tributária e controle fiscal

Na área fiscal, o plano defende a criação de uma regra de controle para gastos discricionários dos três poderes e a limitação do crédito subsidiado pelo Tesouro. A meta é gerar superávits primários para mitigar pressões inflacionárias e permitir a queda dos juros básicos (Selic), atualmente em 13,75% ao ano.

Sobre a tributação, a proposta inclui revisar a reforma em curso para reduzir a carga sobre produção e consumo. Busca-se unificar a legislação, eliminar exceções e assegurar a não cumulatividade do Imposto sobre Valor Agregado (IVA), previsto para vigência integral em 2033.

Infraestrutura e privatizações

Para atrair capital privado, o programa anuncia R$ 900 bilhões em investimentos em infraestrutura ao longo de quatro anos. As fontes previstas combinam parcerias público-privadas (PPPs), concessões, recursos do BNDES e um fundo lastreado na securitização de ativos da União.

O texto também retoma a defesa das privatizações e promete mecanismos de estabilidade regulatória de até 20 anos para grandes projetos. Projetos citados incluem Ferrogrão, Transnordestina e Trem do Nordeste, embora não haja distribuição específica dos valores por empreendimento.