Divisão rígida no reajuste de planos
O ciclo de reajustes de maio de 2026 a abril de 2027 expõe uma disparidade crítica para gestores. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) fixou o teto em 5,11% apenas para planos individuais e familiares. Essa modalidade representa cerca de 14,5% do mercado, atingindo 7,7 milhões de beneficiários.
Para empresas, a regra é distinta. Contratos coletivos empresariais ou por adesão não seguem esse limite. Em 2025, a média foi de 10,76%, e nos primeiros meses de 2026, manteve-se em 9,9%. O IPCA acumulado ficou em 4,22%, evidenciando que os custos operacionais superam a inflação oficial.
A armadilha dos contratos com menos de 30 vidas
A Resolução Normativa nº 565/2022 agrupa todos os contratos pequenos de uma operadora. Se sua equipe tem menos de 30 funcionários, seu reajuste não depende do uso individual da sua empresa, mas da sinistralidade agregada de todos os grupos menores da seguradora.
Em 2025, esses agrupamentos tiveram aumento médio de 14,24%, contra 9,62% para grandes contratos. Isso significa que usar pouco o plano não garante desconto, pois o risco é diluído em toda a carteira de pequenas empresas da operadora.
Negociação baseada na sinistralidade real
Acima de 30 vidas, a lógica muda. O percentual é negociado diretamente entre empresa e operadora, baseado na relação entre mensalidades pagas e gastos médicos (sinistralidade). Empresas idênticas na mesma cidade podem receber índices diferentes.
Um levantamento da United Planos de Saúde mostrou variação de 4,50% a 16,74% entre 24 operadoras para o novo ciclo. Essa dispersão exige análise prévia, pois o índice recebido não é padrão de mercado, mas específico da gestão do contrato.
Como auditar antes de assinar
A transparência regulatória permite verificar dados históricos. Antes de renovar, exija por escrito:
- Histórico de três ciclos do agrupamento, não apenas o atual;
- Metodologia de cálculo descrita no contrato;
- Definição exata do número de vidas no agrupamento;
- Data de aniversário do contrato para aplicação do reajuste.
Estratégias pós-reajuste
Se o aumento for surpreendente, verifique se há acúmulo indevido de reajuste anual com mudança de faixa etária. Avalie também a portabilidade de carências, permitindo migração sem perder tempo de cobertura, desde que atendidos os requisitos da ANS.
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