Descompasso entre percepção e domínio

A Reforma Tributária deixou de ser uma abstração legislativa para se tornar um desafio operacional imediato. Um levantamento recente do Sindilojas SP expõe uma realidade crítica: enquanto 97% das empresas do comércio em São Paulo antecipam impactos moderados a altos em seus negócios, 81% classificam seu entendimento sobre o tema como baixo ou muito baixo. Essa lacuna cognitiva representa um risco estratégico significativo para fundadores e gestores.

O gatilho de setembro e a urgência fiscal

O calendário tributário não perdoa atrasos. O mês de setembro encerrou o prazo para micro e pequenas empresas optarem pelo Simples Nacional para 2027 e definirem formas de recolhimento do IBS e CBS. A transição já está em curso: testes com CBS e IBS ocorrem em 2026, seguidos pela extinção do PIS e Cofins e entrada efetiva da CBS em 2027. Quem não agir agora enfrentará complexidade adicional na adaptação.

Preço, fluxo de caixa e sistemas em xeque

As maiores preocupações dos varejistas refletem a necessidade de recalibrar a operação diária. A tributação sobre vendas lidera as ansiedades (31%), seguida pela formação de preços (21%) e gestão de fluxo de caixa (16%). Além disso, 10% temem o compliance fiscal e 9% destacam a necessidade de atualização tecnológica. A reforma exige revisão de processos, não apenas ajuste de alíquotas.

Capacitação como fator de competitividade

A demanda por suporte é clara: 34% dos empresários priorizam cursos e capacitações, enquanto 23% buscam ferramentas de simulação de impacto. Aldo Nuñez Macri, presidente do Sindilojas SP, enfatiza que a preparação deve começar imediatamente. "Não se trata apenas de acompanhar legislação, mas de entender o efeito sobre custos e estratégia", afirma.