Desvio estratégico para a Ásia

A Rússia planeja dobrar as exportações de óleo de girassol para a China na nova safra comercial, iniciada em 1º de setembro. O movimento é uma resposta direta aos gargalos logísticos causados pelo conflito armado, que dificultam os embarques marítimos tradicionais.

Kyrylo Tyshkevych, diretor de comercialização do Grupo Sodrugestvo, confirmou que as compras chinesas devem atingir 1 milhão de toneladas métricas. Para viabilizar esse volume via rotas terrestres, os produtores estão oferecendo descontos significativos nos preços.

Queda nas vendas à Índia

Enquanto a demanda asiática cresce, os embarques para a Índia, principal comprador histórico, devem recuar 26,7%. As entregas cairão de 1,5 milhão para 1,1 milhão de toneladas este ano. A infraestrutura portuária no Mar Negro sofreu danos recentes, interrompendo operações de carregamento essenciais para o comércio marítimo.

Impacto na produção local

Apesar da previsão de aumento da produção de sementes para 20 milhões de toneladas, a fraca capacidade de exportação reduzirá a moagem doméstica. Isso resultará em estoques remanescentes de 3 milhões de toneladas no início da próxima safra, pressionando as margens dos produtores locais.

Concorrência global

O setor enfrenta concorrência acirrada com óleos de palma (Indonésia/Malásia) e soja (América do Sul). A Ucrânia, segundo maior fornecedor, também vê sua moagem pela metade devido a ataques a terminais em Odessa, consolidando a instabilidade na oferta global de óleos vegetais.