O novo padrão do lar americano

A pesquisa mais recente do American Institute of Architects (AIA), divulgada em setembro de 2026, expõe uma mudança estrutural na forma como os proprietários americanizam suas residências. Ao comparar dados do terceiro trimestre de 2026 com 2025, o levantamento evidencia que a busca por tendências residenciais não é apenas estética, mas funcional e financeira.

Para empreendedores do setor imobiliário e construtoras, entender esses vetores é crucial. A demanda migrou de luxos isolados para espaços que garantem longevidade, segurança e adaptação familiar.

Espaços externos aquecem, jardinagem esfria

O destaque absoluto foi a expansão das áreas de convivência ao ar livre, que saltaram de 40% para 51% de interesse. Em regiões frias, jardins de inverno e varandas triestacionais dispararam de 6% para 25%. Isso indica que o cliente exige integração entre interior e exterior, independentemente do clima.

Por outro lado, estufas e hortas internas caíram de 11% para 9%. O foco mudou da produção agrícola caseira para o lazer e bem-estar imediato, um sinal claro de priorização de tempo sobre hobby manual.

Saúde, higiene e a era multigeracional

As chamadas "mud rooms" ou zonas de transição ganharam força, subindo de 21% para 30%. Essa área de descarte de calçados e casacos reflete uma conscientização pós-pandemia sobre higiene doméstica. Simultaneamente, suítes principais no primeiro andar avançaram para 52%, atendendo ao envelhecimento ativo na própria casa.

A tendência de lares multigeracionais também cresceu, atingindo 53%. Impulsionada pela crise habitacional e custos elevados de cuidados, essa configuração torna-se um diferencial competitivo vital para imóveis familiares.

Sustentabilidade e wellness em retrocesso

Nem tudo avança. A construção com emissão líquida zero despencou de 13% para 5%, e painéis solares caíram de 29% para 23%. O fim de incentivos fiscais federais nos EUA tornou essas reformas menos atrativas financeiramente no curto prazo.

Também recuaram as piscinas de imersão em água fria, caindo drasticamente de 30% para 13%, devido à complexidade de manutenção e alegações exageradas de benefícios à saúde. Para investidores, isso sugere cautela com modismos efêmeros de wellness em detrimento de infraestrutura durável.