Do acaso à escala

A confeitaria Bolos Feios da Mari, sediada em São Paulo, registrou um aumento de 90% na demanda após uma publicação no X (antigo Twitter) se tornar viral. O post, feito pelo usuário @1eozinho01, reuniu mais de 547 mil visualizações e 48 mil curtidas, destacando os designs maximalistas e controversos da marca.

O conteúdo mostrou bolos com chantilly inspirados em ícones pop, como Ana Mary B, Pabllo Vittar e as Torres Gêmeas. A estética propositalmente imperfeita, inicialmente criada pela fundadora Mariana Neves para proteger-se do perfeccionismo, foi reinterpretada pelo público como expressão artística genuína.

Mudança na operação e precificação

Antes da viralização, a produção girava em torno de quatro a cinco unidades semanais. Com a agenda cheia até outubro, a empresa precisou contratar dois colaboradores para auxiliar na logística e gestão de redes sociais. O modelo de cobrança também está em revisão: pretende-se migrar do preço por quilo (atualmente R$ 150) para uma tarifa fixa baseada no valor artístico da peça.

Memória afetiva como diferencial

Nevens, que atua paralelamente em marketing, explica que a escolha estética remete aos bolos caseiros dos anos 1990 e desenhos infantis, ativando uma forte memória afetiva. Essa conexão emocional transformou uma limitação técnica inicial em um posicionamento de mercado claro e altamente compartilhável nas redes sociais.

Lição para líderes e empreendedores

O caso ilustra como a autenticidade pode superar a polidez corporativa tradicional. Para gestores, o exemplo reforça a importância de monitorar sinais orgânicos de engajamento. Quando a audiência valida uma característica única do produto — mesmo que seja sua 'imperfeição' —, há oportunidade real de escalar a operação e ajustar a proposta de valor.