Expansão como prioridade estratégica

Em um setor marcado por volatilidade de preços e desafios climáticos, a Zilor Energia e Alimentos adotou uma postura defensiva apenas no curto prazo. A estratégia de longo prazo é clara: crescer. O CEO André Inserra, que assumiu o comando em dezembro de 2024, definiu como meta central atingir a moagem de 14 milhões de toneladas de cana, um salto de 10,2% sobre os 12,7 milhões processados na safra 2025/26.

Saúde financeira viabiliza crescimento

O plano de expansão não é especulativo; ele está lastreado em fundamentos financeiros robustos. A companhia encerrou a última safra com receita líquida de R$ 3,6 bilhões e EBITDA ajustado de R$ 1,3 bilhão, resultando em uma margem EBITDA de 36%. Mais importante ainda, a alavancagem caiu drasticamente, passando de cinco vezes dívida líquida sobre EBITDA para apenas 1,11 vez, consolidando a independência operacional necessária para novos investimentos.

Integração e reestruturação societária

A base para este novo ciclo foi construída antes da chegada do atual CEO. Em 2025, a Zilor incorporou a Unidade Salto Botelho, em Lucélia (SP), sua primeira aquisição em quase quatro décadas. Paralelamente, a empresa reestruturou seu portfólio ao criar uma joint venture com a francesa Lesaffre para a operação da Biorigin, mantendo 30% do negócio de derivados de levedura e focando recursos no núcleo sucroenergético.

Mercado e projeções setoriais

A decisão de mirar 14 milhões de toneladas se alinha às projeções macroeconômicas. Estudos indicam que a cadeia sucroenergética brasileira poderá movimentar US$ 206,6 bilhões até 2030, exigindo cerca de 80 novas usinas. Para Inserra, a lógica é simples: para moer mais, é preciso cana saudável; para ter cana, é preciso terra. A gestão agora conecta produtividade agrícola e disponibilidade de terras em uma única estratégia integrada.

Novas aquisições na mesa

Diante desse cenário, a Zilor não descarta a compra de ativos concorrentes ou complementares. "O máximo que a gente puder topar as usinas, a gente vai topar", afirma o executivo. A busca por M&A (fusões e aquisições) será usada como alavanca para acelerar a meta de volume, sempre que a transação fizer sentido estratégico e financeiro para a saúde do grupo.