Barreira técnica nas licitações

O Marco Legal do Saneamento impulsionou uma demanda massiva por infraestrutura, mas o acesso ao mercado mudou. Para fabricantes de tubos e conexões, oferecer o menor preço já não garante vitória em licitações. A condição sine qua non tornou-se a comprovação rigorosa de que os produtos atendem às normas técnicas exigidas pelas concessionárias. Sem essa validação, a empresa fica automaticamente excluída das disputas.

Referência Sabesp como padrão nacional

Em São Paulo, as Normas Técnicas da Sabesp (NTS) ditam os requisitos de material, dimensões e desempenho. Como a estatal é referência no setor, seus parâmetros são replicados por outras concessionárias, construtoras e gestores públicos em todo o país. Uma certificação obtida nesse ambiente funciona como um passaporte comercial válido além das fronteiras estaduais.

Custo total versus preço de aquisição

A lógica de compra evoluiu para focar no custo ao longo da vida útil. Em redes enterradas, vazamentos e infiltrações custam muito mais do que a economia inicial na aquisição. Isso favorece materiais como o PEAD, valorizado pela resistência e estanqueidade, desde que seu desempenho esteja comprovado em norma. O fornecedor qualificado integra esses testes à rotina produtiva permanente.

Escala sem perder conformidade

Empresas como a Asperbras, que investiram R$ 50 milhões em ampliação, mostram que é possível crescer mantendo padrões. Com certificações incorporadas ao processo, elas atendem desde ramais prediais até redes de distribuição. A universalização da água e esgoto até 2033 exige escala, mas a certificação deixou de ser diferencial para ser o ponto de partida para vender.