O fim do prêmio de risco

O dólar recuou mais de 4% nesta segunda-feira (5), negociando abaixo de R$ 5 pela primeira vez em semanas. O movimento abrupto, que tirou a moeda americana de R$ 5,22 no fechamento anterior, traduz a reavaliação imediata dos investidores sobre o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais. Com Flávio Bolsonaro à frente de Lula, o mercado passou a precificar uma chance maior de alternância de poder e uma trajetória fiscal mais crível a partir de 2027.

Expectativas vs. Fundamentos

A queda não altera os fundamentos econômicos atuais. A dívida pública permanece em níveis elevados e o resultado primário segue negativo. O que mudou foi a probabilidade atribuída pelos agentes financeiros a diferentes cenários futuros. Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, destaca que o prêmio de risco fiscal está sendo retirado do câmbio, mas alerta que essa valorização depende da confirmação do cenário político nas próximas semanas.

Projeções e Volatilidade

Bancos estrangeiros estimam que o dólar possa oscilar entre R$ 4,80 e R$ 4,95 nas próximas semanas se o atual padrão eleitoral se mantiver. No entanto, André Matos, da MA7 Capital, lembra que a velocidade da reação não deve ser confundida com transformação estrutural. Até o segundo turno, cada pesquisa e declaração política terá impacto direto na cotação, mantendo a volatilidade em patamares altos.

Risco de Reversão

João Debom, sócio da Supernova Investimentos, explica que o movimento foi predominantemente doméstico. Enquanto o dólar avançava globalmente, recuava frente ao real devido à percepção de menor risco brasileiro. Contudo, o analista enfatiza que não há garantia de ajuste fiscal automático. A composição do Congresso e a capacidade de articulação política serão determinantes para transformar expectativa em resultado econômico concreto.

Impacto na Economia Real

Para quem lidera negócios, um dólar mais barato reduz custos de insumos importados, como combustíveis e fertilizantes, podendo aliviar pressões inflacionárias. Esse cenário pode ampliar o espaço para cortes de juros pelo Banco Central. Porém, o repasse não é imediato nem integral. Empresários devem monitorar de perto a evolução política até 25 de outubro, pois qualquer reversão nas expectativas pode reverter rapidamente a valorização do real.