Expansão do CNPJ entre autônomos

O número de brasileiros que atuam por conta própria e possuem Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) atingiu recorde histórico. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua divulgada pelo IBGE, esse grupo representa 27,1% dos autônomos em 2025, ante 15% em 2012. A alta reflete não apenas a criação de novos negócios, mas a migração de profissionais que antes operavam na informalidade para estruturas legais.

A formalização é particularmente intensa entre quem possui ensino superior completo. Pela primeira vez, mais da metade (50,8%) desses profissionais com nível acadêmico elevado atua com registro empresarial. Analistas atribuem o fenômeno à redução de barreiras burocráticas, impulsionada pela expansão do Microempreendedor Individual (MEI), e à necessidade de adequação contratual exigida pelo mercado corporativo.

Pejotização versus Empreendedorismo Real

Embora os dados mostrem um crescimento robusto da base empresarial individual, o IBGE alerta que a pesquisa não distingue a motivação por trás da abertura do CNPJ. Não é possível saber, pelos números atuais, quanto desse avanço decorre de iniciativa genuína do trabalhador ou do fenômeno da pejotização, onde empresas substituem vínculos empregatícios por contratos B2B para reduzir custos trabalhistas.

Para William Kratochwill, analista do instituto, a facilidade de abrir empresa, receber via Pix e ter conta bancária jurídica tem incentivado prestadores de serviço a se regularizarem. O cenário indica um amadurecimento do ecossistema de pequenos negócios, ainda que a linha entre autonomia real e terceirização disfarçada permaneça tênue nos dados macroeconômicos.

Crise na Representação Sindical

Enquanto o número de CNPJs cresce, a sindicalização entra em colapso estrutural. A taxa de trabalhadores associados a sindicatos caiu de 16,1% em 2012 para 8,8% em 2025. A retração é especialmente drástica entre as gerações mais jovens: na faixa de 25 a 39 anos, a adesão recuou 50,1%, eliminando 3 milhões de filiados.

Após atingir o fundo do poço em 2023, a taxa estabilizou levemente em 2024 e 2025, possivelmente devido à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a contribuição assistencial. No entanto, a perda acumulada de poder de barganha coletivo é significativa, refletindo uma desconexão entre as expectativas dos trabalhadores modernos e a estrutura tradicional das entidades de classe.