Novo capítulo no conflito setorial

O embate pelo domínio das entregas de refeições no Brasil entrou em campo judicial. O iFood ingressou uma ação contra a Keeta, subsidiária da gigante chinesa Meituan, na 1ª Vara Empresarial e de Conflitos de Arbitragem de São Paulo. A plataforma brasileira alega que a concorrente asiática pratica concorrência desleal para sufocar a competição.

Preços predatórios e deep pockets

A petição inicial solicita uma perícia econômico-financeira para dimensionar os recursos injetados pela matriz estrangeira. O iFood aponta que a Keeta opera com receitas líquidas negativas por pedido, bancando descontos superiores a 40%. Lucas Pittioni, vice-presidente Jurídico do iFood, afirma que a participação de mercado atual é fictícia, financiada por subsídios irracionais que visam eliminar competidores menos capitalizados.

Allegações de aliciamento e vazamento de dados

As acusações ganham contornos graves ao incluir um esquema estruturado de cooptação. Transcrições de áudios anexadas ao processo mostram um gerente da Keeta admitindo a busca por informações estratégicas da rival. A denúncia indica que ex-funcionários do iFood, munidos de dados confidenciais, formariam uma equipe dedicada a quebrar contratos de exclusividade, oferecendo até apoio financeiro para multas rescisórias.

Resposta da Keeta e contexto do Cade

Em nota, a Keeta rebate as acusações, classificando a ação como manobra de uma "plataforma monopolista" que busca asfixiar entrantes. A empresa argumenta que os descontos são táticas comuns de varejo digital e que o Brasil possui um monopólio sem precedentes no setor. Paralelamente, o iFood formalizou representação no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em agosto, buscando medidas preventivas contra a estratégia de precificação agressiva.