Decisão judicial blinda ativos

A juíza Fernanda Perez Jacomini, da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, aceitou o pedido de recuperação judicial das empresas do Grupo Marabraz. A decisão, proferida na noite de terça-feira (27), impõe uma suspensão automática de 180 dias para qualquer ação de cobrança ou penhora sobre os bens dos devedores.

O grupo declara uma dívida total de R$ 140 milhões. O prazo legal de 60 dias para apresentação do plano de recuperação aos credores foi confirmado pela magistrada. O não cumprimento das obrigações contábeis mensais pode resultar na destituição dos administradores judiciais.

Crise financeira versus disputa familiar

A petição inicial aponta que a crise não é operacional, mas decorre de um conflito societário interno. A disputa envolve o controle da LP Administradora de Bens, holding da família Fares que gerencia centenas de imóveis comerciais doados à terceira geração em 2011.

Com a briga pelo controle, os administradores do varejo foram removidos da gestão dessas propriedades. Como resultado, bancos credores exigiram novas garantias, encarecendo e limitando o acesso ao crédito necessário para manter estoques e operar o dia a dia.

Estrutura do grupo afetado

Fazem parte do processo as seguintes unidades: Comercial de Móveis Jordanésia, S. V. C. Jaraguá, Comercial Móveis das Nações, Comercial Zena Móveis e Monta Móveis. O pedido original foi feito em agosto, após uma falência decretada contra a Jordanésia em outro processo, hoje suspensa pelo Tribunal de Justiça de SP.

Nasser Fares lidera a operação de varejo junto com dois irmãos. A recuperação judicial busca organizar o pagamento das dívidas enquanto resolve a questão patrimonial que paralisou o fluxo de caixa da empresa.