Da demolição ao varejo digital

A Proposta Verde, fundada em 2008 por Ana Suelen Pisetta e João Dolzan Júnior, evoluiu de um ateliê de móveis com madeira de demolição para uma referência em upcycling. A virada estratégica ocorreu durante a pandemia, quando o modelo B2B colapsou. O casal migrou para o varejo direto, investindo em e-commerce e aproveitando a proximidade com o polo têxtil de Rio do Sul, em Santa Catarina.

Crescimento exponencial e viralização

O salto financeiro foi impulsionado pela visibilidade orgânica. Em janeiro de 2026, vídeos mostrando a criação de bolsas com passantes de jeans ganharam destaque nas redes sociais. Como resultado, a empresa registrou faturamento de R$ 30 mil mensais consecutivos. Enquanto em 2025 a receita anual foi de R$ 71 mil, até setembro de 2026 já alcançava R$ 180 mil, com projeção de fechar o ano em R$ 260 mil.

Imposto alto no preço justo

A popularidade trouxe novos desafios de precificação. Peças como a bolsa de jeans custam R$ 350 e vestidos autorais ultrapassam R$ 2 mil. A fundadora explica que o público muitas vezes questiona o valor, ignorando os custos logísticos de coleta, seleção e preparo dos resíduos, além da mão de obra especializada necessária para transformar lixo industrial em design autoral.

Escala global e impacto local

A coleção 'Enlaço', desenvolvida com apoio da Fundação Hermann Hering e Sebrae, levou a marca à Semana de Moda de Milão. Paralelamente, a estrutura social se fortalece através da Associação Balseiro, que formou mais de 100 meninas em vulnerabilidade via Musas Coletivo de Moda. O negócio agora planeja expandir para marcenaria e capacitação digital, mantendo a essência artesanal.