Do escritório para a fábrica

A transição de carreiras corporativas para o empreendedorismo pode ser ágil quando há sintonia entre os sócios. Caroline e Camila Ramos, irmãs paulistas, deixaram suas posições em TI e RH para fundar a Ramos do Cacau. O negócio nasceu da união de habilidades complementares e de um hobby bem estruturado, focado na produção de chocolates artesanais bean-to-bar.

O ponto de partida foi técnico e financeiro: Caroline utilizou cerca de R$ 20 mil de sua rescisão contratual para formalizar a empresa em agosto de 2023. Antes disso, investiu tempo em imersões no cultivo de cacau em Ilhéus (BA) e em cursos de especialização, garantindo que a base do produto fosse sólida antes do lançamento.

Validação rápida no mercado

Diferente de muitos negócios que demoram anos para ganhar tração, a Ramos do Cacau atingiu reconhecimento global em menos de um ano. O sabor 55% cacau com café conquistou o segundo lugar no Academy of Chocolate Awards, um dos concursos mais prestigiados do setor mundialmente. Essa validação externa serviu como alavanca estratégica para as vendas.

A estrutura fabril foi consolidada em julho de 2024, com a mudança para um espaço próprio no Itaim Paulista, Zona Leste de São Paulo. A operação atual produz entre 25 kg e 30 kg diários, volume que dobra durante a Páscoa, demonstrando capacidade de resposta à sazonalidade do setor de confeitaria fina.

Estratégia comercial híbrida

O modelo de receita da marca combina canais diretos e B2B. As feiras e eventos presenciais representam 60% do faturamento, atuando não apenas como ponto de venda, mas como ferramenta de aquisição de clientes e construção de comunidade. Para complementar, a empresa mantém presença digital e parcerias estratégicas com varejistas selecionados, como o Mercado Casa Bueno e a Joana Cafés.

O tíquete médio gira em torno de R$ 250, indicando que o público-alvo valoriza a experiência premium e a origem do produto. A diversificação do portfólio, incluindo opções veganas e edições sazonais, permite capturar diferentes nichos de consumo sem diluir a identidade da marca.

Gestão e projeções financeiras

A entrada de Camila em tempo integral trouxe profissionalização à gestão administrativa e financeira, áreas críticas para a escalabilidade. Com o faturamento saltando de R$ 40 mil em 2024 para R$ 65 mil em 2025, a empresa planeja atingir R$ 75 mil em 2026. O plano inclui a compra de novos equipamentos para aumentar a capacidade produtiva sem perder a essência artesanal.

O maior desafio identificado pelas fundadoras é o aporte de capital para expansão e a curva de aprendizado na gestão empresarial. A estratégia adotada prioriza o controle rigoroso de custos e a delegação gradual de funções, mantendo as sócias próximas da produção para preservar a qualidade do bean-to-bar.